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sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Muitos 5 minutos ainda

o amor é tão irônico
num dia são olhos brilhando
no outro faiscando
depois odiando
aí, eles vão embora
e ele (o amor) fica
tão tão tão
mais forte
vai entender o coração
bobo bobo
e tão gigante
ah, coração vadio
vai vadiar e esquece das âncoras
se joga no mundo
de cabeça
e tira a imagem dela dos olhos
do teu mar sem prumo nem rumo

oh, que bobagem
ela é minha estrela
bússola
sei lá

só sei que sem ela
o mar tem sentido
é um ir sem rumo que não leva mais que a vida

oh, tempo do amor!
Tua medida é vontade de rever os olhinhos dela

                                                         FLÁVIO ARRUDA

sábado, 27 de agosto de 2011

O VERBO
                                 
amar é um verbo que só pode ser conjugado no presente
em relação a um substantivo sempre
no singular
(mesmo que alguns defendam sua pluralidade)
de outro modo
não tem sentido

sua relação com adjetivos
dependerá de advérbios de tempo e de modo
já que semanticamente o próprio verbo
pode assumir o superlativo
contrariando regras

o objeto ligado a esse verbo
é sempre direto
e em não raros casos
torna-se sujeito

são sinônimos desse verbo
paixão
posse
ciúme
desespero
angústia
tesão

raramente relacionando-se a
paz
sossego
tranqüilidade
plenitude
certeza

mas toda e qualquer palavra
pode ser relacionada em sua semântica
ao verbo amar
visto que ele é sempre irregular
e pode
a qualquer momento
ter ante ou após si
partículas interjeitivas ou palavras de
negação

FLÁVIO ARRUDA

domingo, 7 de agosto de 2011

Fecho os olhos e sinto II

o cardápio me diz as necessidades da carne, mas eu queria mesmo era escolher o que enchesse o olhos vazios de presença. Vejo os sorrisos e ignoro os dentes sem graça, que não me dizem nada sobre a minha vida, meus dias. Onde esta você que não vejo mais no meu travesseiro, na minha sala, nas minhas mãos? Não vejo seus seios em minhas mãos e a boca já não diz nada em minha boca, já não sei o que dizer...

                                                                             FLÁVIO ARRUDA

terça-feira, 26 de julho de 2011

Meu sertão e suas veredinhas

Sempre meio distraído, acabo não percebendo as curvas erradas que fiz logo ali há uns três meses. Por sorte, esbarro em poetas que não se sabem poetas. Eles acabam me guiando pelos seus versos-palavras-conselhos e eu volto para a velha estrada larga de terra. O problema é que as veredas escondem tantos caminhos de mim mesmo. Não gosto dessa estrada larga e segura, ou até gosto, mas não esqueço as possibilidades daquela, opa! essa nova vereda na qual tropeço. Como tem buracos, penso! E essas árvores que não conheço. Elas com seus frutos de descoberta me apavoram o caminho e novamente me inspiram. Mais uma vez me vejo perdido, mas o som dos ecos das vozes amigas e dos escritores de meus dias são uma setinha vermelha apontando para a velha estrada larga e segura. De repente, sinto saudade dos buracos e penso naquelas frutas-possibilidade. _Meu filho, não olhe para os lados! _Calma, mãe, teu menino é meio super homem com criptonita de monotonia. _Ele precisa dos buracos, pedras e possibilidades. Meus pés cansados renascem nos dias mais ressaca, nos dias mais dor, torpor e angústia. Calço botas de um guerrilheiro acostumado com a falta de caminhos prontos. Sempre alumbrado, vou olhando para o céu, pensando que o vento e as estradas nem sempre me levam para a minha atípica felicidade clandestina.

                                                                                                                                     Flávio Arruda

Sorriso aberto e olhos estreitos é assim que lembro dela

Sua presença repentina em minha vida foi tão simpática
tão repentina quanto um momento de alumbramento.
Deste então, o sentimento de
paz
chocolate
cerveja
soneca
sobremesa
me vem ao espírito num simples pensamento
        palavra lida ou ouvida
        imagem real ou virtual


Ela é tão etérea
tão distante
e no mesmo momento
tão chão
numa onipresença de quem se sabe viva em minha cabeça.


Agora me resta dormir...
             
                        e lembrar...




                                       da presença-ausência dela....



Flávio Arruda

Tomando conhaque e olhando para a lua (I)*


        Gosto dos olhos das pessoas que refletem os meus. A droga toda é que meus olhos também mentem (como todo humano olho), e podem se encontrar em situação arriscada de instabilidade emocional alheia.
        Geralmente é assim que perco amigos. Quando seus olhos-olhares-palavras escondem sentimentos de uma armadilha não planejada, que terminam com o futuro das relações desejadas.
       Fecho os olhos para eles porque sinto como se a cor houvesse mudado de algo brilhante para um opaco medo refletido nos meus. Mesmo assim, há certos dias que acordo com vontade de acreditar no antigo reflexo de minha esperança nos outros.


*O título (óbvio) eu pesquei em "Poema de sete faces", de Drummond**

** Aprende aí a citar as fontes, Paulo Coelho!




Flávio Arruda

terça-feira, 28 de junho de 2011



o mar, o amor e outras âncoras

o amor é tão irônico
num dia são olhos brilhando
no outro faiscando
depois odiando
aí, eles vão embora
e ele (o amor) fica
tão tão tão
mais forte
vai entender o coração
bobo bobo
e tão gigante
ah, coração vadio
vai vadiar e esquece das âncoras
se joga no mundo
de cabeça
e tira a imagem dela dos olhos
do teu mar sem prumo nem rumo

oh, que bobagem
ela é minha estrela
bússola
sei lá

só sei que sem ela
o mar tem sentido
é um ir sem rumo que não leva mais que a vida

oh, tempo do amor!
Tua medida é vontade de rever os olhinhos dela

                                                         FLÁVIO ARRUDA